Performance e Composição Corporal

Glutamina

Aminoácido condicionalmente essencial, o mais abundante no músculo esquelético e no plasma, com papel clínico bem estabelecido em suporte imunológico e integridade intestinal — mas evidência fraca como suplemento ergogênico de hipertrofia em indivíduos saudáveis e bem nutridos.

O que é

L-glutamina é um aminoácido não essencial em condições normais, porém considerado condicionalmente essencial em estados catabólicos, críticos ou de estresse metabólico intenso, quando a demanda tecidual excede a capacidade de síntese endógena. É o aminoácido livre mais abundante do organismo, correspondendo a 50–60% do pool de aminoácidos livres intramusculares e à maior fração dos aminoácidos circulantes no plasma. É sintetizada principalmente no músculo esquelético pela enzima glutamina sintetase.

Principais funções

Substrato energético preferencial para células de divisão rápida (enterócitos, linfócitos, macrófagos), participação central na homeostase ácido-base renal via transporte e excreção de amônia, precursor da síntese de nucleotídeos e de glutationa (principal antioxidante intracelular), manutenção da integridade e função de barreira da mucosa intestinal, e modulação da resposta imune inata e adaptativa.

Mecanismo de ação

Em exercício prolongado e/ou muito intenso, e em estados catabólicos (trauma, cirurgia, sepse, queimaduras), observa-se queda da concentração plasmática e muscular de glutamina, atribuída ao consumo aumentado por tecidos imunes e intestinais, à captação hepática para gliconeogênese e à excreção renal aumentada. A 'hipótese da glutamina' propõe que essa queda contribui para a imunodepressão transitória pós-exercício extenuante (janela de maior suscetibilidade a infecções de vias aéreas superiores), o que motivou o uso de suplementação para repor esse pool. Em contexto clínico, a glutamina fornecida por via enteral/parenteral serve como combustível preferencial para enterócitos e linfócitos e como substrato para síntese de glutationa, sustentando a função de barreira intestinal e a resposta imune em pacientes críticos e cirúrgicos.

Fontes alimentares

Presente em quantidade relevante em carnes, peixes, ovos, laticínios e, em menor grau, em vegetais como repolho, espinafre e salsa. Uma dieta onívora comum fornece entre 3 e 6 g de glutamina por dia, quantidade muito inferior às doses gramas usadas em estudos clínicos e esportivos.

Biodisponibilidade

Absorção oral eficiente, mas uma fração substancial da glutamina ingerida é captada e metabolizada pelos próprios enterócitos já no primeiro-passe intestinal (extração esplâncnica), antes de atingir a circulação sistêmica. Esse metabolismo de primeira passagem explica por que as doses orais usadas em estudos costumam ser bem maiores do que a necessidade diária estimada de reposição plasmática.