L-Carnitina
Composto sintetizado endogenamente e envolvido no transporte mitocondrial de ácidos graxos; eficácia da suplementação oral para perda de gordura é modesta e cientificamente controversa, sobretudo pela baixa biodisponibilidade e pela síntese endógena geralmente suficiente.
O que é
Amina quaternária sintetizada endogenamente no fígado, rins e cérebro a partir dos aminoácidos lisina e metionina, com participação de cofatores como vitamina C, vitamina B6, niacina e ferro. Também obtida pela dieta, principalmente de carnes vermelhas. Pode ser considerada uma vitamina condicional, já que a síntese endógena é suficiente para manter os estoques corporais na maioria dos indivíduos saudáveis.
Principais funções
Transporte de ácidos graxos de cadeia longa para dentro da mitocôndria, viabilizando a beta-oxidação. A suplementação é proposta com o objetivo de aumentar o conteúdo intracelular de carnitina e, teoricamente, potencializar a oxidação de gorduras — hipótese com suporte experimental limitado em pessoas sem deficiência.
Mecanismo de ação
A carnitina é componente essencial do sistema carnitina palmitoil transferase I e II (CPT I/II), responsável por transportar ácidos graxos de cadeia longa através da membrana mitocondrial interna — etapa limitante da beta-oxidação lipídica. A suplementação oral eleva a carnitina plasmática, mas estudos mostram que ela aumenta pouco ou nada a concentração intramuscular de carnitina em indivíduos cujos estoques já estão saturados, o que compromete a plausibilidade biológica do efeito lipolítico esperado em pessoas saudáveis e bem nutridas.
Fontes alimentares
Carnes vermelhas são a principal fonte dietética, seguidas por aves, peixes e laticínios. Fontes vegetais são pobres em carnitina — vegetarianos e veganos têm ingestão dietética menor, mas a síntese endógena hepática/renal costuma compensar essa diferença na maioria dos casos saudáveis.
Biodisponibilidade
Biodisponibilidade oral baixa e dose-dependente: doses fisiológicas na faixa de miligramas (como as obtidas pela dieta) têm absorção estimada entre 54–87%, enquanto doses suplementares na faixa de gramas têm biodisponibilidade estimada abaixo de 5–18%. A fração não absorvida é metabolizada pela microbiota intestinal e no fígado, gerando trimetilamina-N-óxido (TMAO).